O amor é supervalorizado nos dias de hoje. Não, minto. Não é o amor, são os relacionamentos. Se você não tem um par, por mais duvidoso que seja, você é automaticamente rebaixado à categoria de pessoas avulsas que, por incompetência ou azar, não conseguiram a honra de ter sua “metade da laranja”. Se você é mulher, multiplique por cem a sensação. Chegar aos trinta solteira é assinar um atestado de fracassada, ou pelo menos é assim que a sociedade irá julgar.
Isso talvez explique aqueles casais que não tem absolutamente nada em comum, que não fazem nada senão brigar, daqueles que ninguém entende por que é que continuam juntos, pois não conseguem conversar por vinte minutos sem que soltem faíscas.
Conheço um casal que é particularmente insuportável. Não, não me entenda mal. São ótimas pessoas, e muito divertidas, mas somente quando estão separados. Quando estão juntos, brigam o tempo todo, por qualquer motivo bobo, e estragam a noite de qualquer um que esteja por perto. Sair para jantar com eles é sempre uma tarefa desgastante, que faz com que eu me pergunte todas as vezes: o que é mesmo que eu estou fazendo aqui?
Caso parecido ocorre com um camarada do escritório. Não conheço a namorada dele mas, a julgar pelo que ouço no telefone, penso que não estou perdendo nada. Afora a deselegância de se ligar para o namorado no meio do expediente para discutir relação todos os dias, em todas as conversas telefônicas, invariavelmente, há uma discussão, alguma ameaça de desligar o telefone na cara dela, alguma reclamação sobre ela gastar demais o dinheiro dele, já que homens adoram pagar as suas despesas só para ter o gostinho de esfregá-las na sua cara quando for conveniente.
E eu fico pensando que se, nos poucos minutos em que acompanho suas rotinas, essas pessoas não conseguem conversar civilizadamente, como é que podem conviver? Será que, a cada encontro, há uma nova troca de farpas? Será que suprem as divergências de ideias com sexo selvagem, talvez o único campo em que se entendam perfeitamente? Ao mesmo tempo, quero e não quero saber.
Tudo isso para dizer que, se o preço para não ser a encalhada da turma for embarcar em um relacionamento em que eu me estresse mais do que me distraia, e em que os momentos de alegria sejam facilmente suprimidos por brigas diárias, me desculpe, mas prefiro ficar solteira.

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