Dizem que é preciso passar por cinco fases até que se supere uma situação dolorosa: negação, raiva, negociação, depressão e aceitação. Desde aquele fatídico junho de 2012 já passei por todas elas de alguma forma, misturadas mesmo. Depois de longos anos se dedicando 100% a alguém, com praticamente todos os amigos sendo comuns, é muito difícil reaprender a andar com as próprias pernas. Perde-se o chão, o rumo, o prumo.
No fim de junho fez um ano que a gente terminou. Aliás, que a gente terminou, não. Que eu fui embora de casa, deixando para trás apenas um bilhete sem assinatura, como nesses filmes clichês que se vê por aí. Porque terminar a gente já tinha terminado havia muito tempo, só que nenhum dos dois sabia disso ainda.
Durante esse ano, experimentei fases doces e amargas. Já me convenci racionalmente de que estou bem melhor sem você. Mais bonita, mais alegre, mais ativa. Mas, infelizmente, nem sempre a razão comanda, e certas vezes eu esqueço de tudo isso e me divirto com pequenas auto-torturas, como lembrar de momentos felizes, repensar atitudes que tomei e de que me arrependo e conjecturar se as coisas poderiam ser diferentes se eu tivesse sido diferente. Adquiri este hábito masoquista de repassar mentalmente coisas que fiz “de errado” durante todo este tempo, e o que eu faria hoje, mais velha, mais sábia e mais calejada.
Já passei da fase de “viuvez”, de me sentir culpada por querer seguir a vida e de ficar em stand-by, esperando na janela por um final feliz que já não cabe mais neste enredo. Deixei de pensar em você para pensar em mim. Voltei a viver, a sair, a conhecer pessoas, mesmo que no fim eu acabe descobrindo que elas não valiam a pena. E quer saber? É muito bom sair do casulo, só para variar um pouquinho.
Um dia, eu vou parar de procurar seus abraços nos braços de outros e de ficar com saudade toda vez que beijar outra boca. E vou parar de comparar outras pessoas com você, porque, afinal, eu não quero um segundo você.
Um dia. Não hoje.

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