Esta semana eu fiquei pensando em todas as coisas que guardei para te dizer, e que não tiveram a oportunidade de sair pela boca. Nada útil, nada especialmente importante, nada que fosse realmente mudar a sua vida. Ou a minha. Mas que eu gostaria de compartilhar.
Você lembra quando eu reclamava todos os dias sobre como eu não conseguia arrumar emprego, e que me sentia um fracasso por isso? E como eu ficava desolada a cada recusa que eu recebia das agências? Pois bem, meu bem, dog days are over. Eu só queria te dizer que eu mudei de emprego, sabe? Duas vezes, de abril para cá. E que, depois disso, recebi mais uma proposta. Quer dizer, as coisas estão melhorando. Sei lá, tive vontade de compartilhar com você as boas novas.
A propósito, estou trabalhando no mesmo shopping em que você trabalhava quando te conheci. E obviamente isso me faz lembrar de cada momento. Da primeira vez em que fui encontrar contigo depois da faculdade, para almoçarmos juntos. De todas as vezes em que fomos encontrar com seus amigos no Outback, das happy hours em que eu enchia a cara de caipivodka de melão e você dizia que eu ficava chata quando estava bêbada, como se você não ficasse muito pior do que eu.
Minha vida profissional nunca esteve tão intensa. Estou pegando freela atrás de freela. Dormir para que? A gente colhe o que planta, então não me importo de trabalhar no meu tempo livre para ganhar um dinheirinho extra. E, para dizer a verdade, até me divirto. Morro de rir de mim mesma sobre o ridículo de escrever para um blog de cachaça, sem beber cachaça.
Falando em escrever, você continua sendo inspiração para várias cenas do meu livro. Não se sinta orgulhoso. Tenho impressão de que você não vai gostar nada, nada de ler certos trechos. Mas não posso fazer nada se não sei escrever sem transferir minhas próprias emoções para o papel. E quase quatro anos me deram muito repertório emocional para rechear minhas páginas. Por sinal, meu livro já tem nome e até desfecho escrito, mas é surpresa, por enquanto. Além do livro "principal" estou com mil ideias na cabeça para outras histórias. Todas elas estão iniciadas, mas ainda inacabadas. Ainda perco esta mania de não terminar o que começo...
O blog? Vai bem, obrigada. Tenho recebido press kits, releases, livros para resenhar. Já teve até autor pedindo que eu lesse sua obra, alegando que respeitava minha opinião, imagine só! São essas pequenas coisas que me fazem amar ter um blog. Dinheiro, dinheeeeeiro ainda não está dando. Mas estou crescendo aos poucos, ficando conhecida, ganhando credibilidade. Cada coisa ao seu tempo.
E eu também queria te dizer que agora eu moro perto de vários barezinhos e restaurantes simpáticos. Tenho ido a vários lugares legais. Sozinha, com amigas, com amigos. Eu me viro bem sozinha, surpreendentemente melhor do que achei que me sairia. O meu porteiro tem até estranhado, sabe? Porque aquela garota que ia do trabalho para casa e vice-versa, com eventuais passadas na academia no caminho, não existe mais. Porque agora o normal é eu chegar em casa de madrugada, geralmente reclamando que o ônibus me deixou em um ponto distante ou que meu sapato está machucando e eu realmente quero desabar na minha cama. Eu estou tentando seguir com minha vida, enfim. A gente se acostuma a quase tudo, né?
E você me desculpe por descrever detalhes tão bobos e tão significativos, assim, para quem quiser ler. É que sou escritora e gosto de escrever sobre aquilo que conheço bem. Sabe como é, "se queres ser universal começa por pintar a tua aldeia".

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